.entrega.

.o amor quer tratar feridas de afeto com poemas de olhares acesos. com risos de afago e aventuras de boca.

.o amor quer habitar uma canto de silêncio de corpo. lá onde os fantasmas antigos ainda não lhe souberam. lugar de macios novos nas preguiças domingueiras. reserva de infância brincando escondida – cheia de segredos traquinas.

.o amor quer carrossel de mãos dadas. entrelaço de almas. renda de gente.

.o amor quer despejar cachoeira em cada abraço apertado. no pulso: pulsão. na intensão: intensidade. a amor não quer mais tarde. o amor quer de vários modos. em cada momento: um lindo eleito.

.o amor não tem pressa de ser eterno. quer é seqüência aleatória e assimétrica de descobertas e espantos. de aprendizados e desnorteios. de atos e suspensão.

.o amor não quer ser sábio. o amor quer sabedoria.

.o amor não se busca de olhos fechados. é preciso estar aberto para receber seu corpo no próprio corpo (como deitar-se sobre si mesmo). o amor mora nos paradoxos. é preciso reconhecer na brutalidade suave de suas pétalas a transgressão eleita das fomes sem pressa.

.o amor não se afoga. amor também se prova fôlego e arfar. vive de pronfundidades e superfícies. quem se afoga são expectativas e seus circos de equilíbrios precários. como se afogam pássaros quando não têm pra onde voar.

.o amor está aqui. fim de arco-íris marcado pelo tilintar do tesouro do peito. o amor está em mim. em ti. está no que não soube ao certo mas se achou perfeito. dessas perfeições rodeadas de charmosos desacertos.

.o amor está assim no que se diz e no que se ato. verbo exato do futuro amplo. verbo vasto certo e justo. verbo de se dizer junto: entregar.

.entregar corpo. alma. pensamento.

.o amor é tudo quanto.

~ por paulo amoreira em Janeiro 13, 2008.

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